O Ditador (The Dictator) – Crítica


Sacha Baron Cohen ficou conhecido pelo seu humor vulgar e corrosivo, e em O Ditador volta mais uma vez no mesmo estilo com a parceria do diretor Larry Charles, o mesmo de Borat e Brüno.

Cohen é Aladeen, um líder destemido e perigoso do país fictício Wadiya, no norte da África, muito excêntrico que manda executar a todos que se opõe a com suas ideias e interesses.  Aladeen sonha em ter uma arma nuclear, mas diz ao mundo que está enriquecendo urânio para “fins pacíficos” – nem o próprio Aladeen contém o riso quando diz isso no filme. É claro que o resto do planeta desaprova suas ambições nucleares e ele é obrigado a fazer uma viagem aos Estados Unidos onde pretende convencer a ONU da “inocência” de suas intenções.

Na sua ida à America devido a uma conspiração de seus aliados, que o sequestram e arrancam sua barba, fica irreconhecível como o grande ditador, e vira apenas um desconhecido em Nova York.

Politicamente incorreto, vulgar, ofensivo? Sim. Engraçado? Bastante

Além de Cohen o filme conta com Ben Kingsley e Anna Faris, além de John C. Reilly como um torturador e  as participações de Edward Norton e Megan Fox interpretando a si mesmos.

Sacha Baron Cohen não deixa de criticar o american way of life e satirizar outros países como Israel, O Ditador se diferencia pela ausência das câmeras escondidas, dos personagens não atores e, principalmente, por ser inteiramente roteirizado.

O Ditador é um filme muito engraçado, apesar de que algumas piadas são um pouco sem graça e outras se arrastam demais. Cohen sabe como criar um personagem engraçado e entregar um bom desempenho cômico. Ele retrata Aladeen como idiota, racista, sexista e completamente ofensivo, é a imagem que a maioria de nós tem de ditadores ao longo da história.

A cena do helicóptero que satiriza o 11 de setembro é genial, sendo o momento mais engraçado do filme, mesmo tendo tantos outros momentos hilários, como a cena dos jogos no começo do filme.

Ao decorrer do filme, Cohen fez o que faz de melhor, fazer rir com seu humor, que muitas vezes é agressivo, mas para mim isso não importa. Ele nos mostra que pode contruir uma carreira rica no humor, mesmo com a mesma formula e esquemas, ele dá ao público algo novo. Ele sem dúvida segue a tradição de grandes comediantes. Anna Faris que interpreta Zoey, uma feminista vegetariana do Brooklyn e pacifista por quem Aladeen se apaixona, tem atuação razoável.

O final é fantástico, quando o general Aladeen faz um discurso para as Nações Unidas, que esperavam que a democracia fosse instalada em Wadiya. Ao invés disso, ele tenta convencer as Nações Unidas enumerando as vantagens de uma ditadura. Entre elas, o controle da imprensa, a prisão sem julgamento, torturas, concentração de renda nas mãos de poucas famílias, mentiras sobre o porquê das guerras e muitas outras que, curiosamente, estão presentes em muitos governos ditos democráticos, como o americano e o brasileiro (Não mencionado, claro).

O filme faz muitas referências como Osama Bin Laden e outros. Sacha Baron Cohen está fazendo o mesmo tipo de coisa que Charles Chaplin fez com O Grande Ditador, em 1940, bem no meio da Segunda Guerra Mundial e a ascensão do Terceiro Reich de Adolph Hitler. Ele está entregando um tapa cinematográfico na cara de todos os líderes mundiais do mal que tentam acabar com a democracia e oprimir o povo.

O Ditador carrega um sarcasmo cômico pouco comum nas telas, talvez não seja melhor que Borat, mas a organicidade de sua narrativa é ainda mais surpreendente, e o seu humor talvez seja ainda mais afiado. Vale a pena assistir!

Nota: 8

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Sobre Guilherme Awesome Dude

Fanático por games, filmes séries e pelo Palmeiras, além de um bebedor de cerveja que não recusa um convite para se divertir com os amigos, desde que o líquido esteja gelado.

Publicado em 25 de agosto de 2012, em Filmes e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Muito bom texto, mas preferi este filme do que Borat…

  2. Muito bom! Não sou muito fã dos filmes dele, mas acho o cara engraçado demais…

  3. Achei este o mais fraco da “trilogia” do Cohen. Mas contem bons momentos, a cena dos 100 metros rasos é impagável.

  4. Eu amei o filme! E Parabéns pelo texto!

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